Interaction Design: entenda tudo sobre a profissão!

Interaction Design é uma área que faz a interação entre um sistema e o usuário, por meio de uma interface, sendo de conhecimentos multidisciplinares.(...)

Autor: Redação Impacta

Por Amyris Fernández*,
Design de Interação – também chamado de Interaction Design – é a área que faz a interação entre um sistema e o usuário, através de uma interface. Basicamente, é como um produto oferece certas ações em conjunto.
O profissional que decide seguir carreira nessa área deve possuir conhecimentos multidisciplinares, mas, além disso, deve também saber como entender um negócio, suas regras e seus objetivos, antes mesmo de começar a desenvolver qualquer desenho.
Deve ser uma pessoa que entenda que cada uma das decisões que toma – seja sobre a arquitetura de informação, design, conteúdo ou decisões de usabilidade – tem impacto direto sobre o resultado financeiro das empresas.
Porém, para entender melhor a profissão, é preciso compreender outras duas profissões que são muito confundidas com a de designer de interação: arquitetos de informação e engenheiros de usabilidade. E, para isso, vale fazer uma retrospectiva histórica do surgimento dessas profissões.

   Dos Fatores Humanos ao estudo da Interação Humano-Computador

O estudo de Fatores Humanos tinha como foco aumentar a produtividade humana nas linhas de produção. Desse modo, era necessário adaptar pessoas às máquinas e não o oposto, já que as máquinas eram caras e não podiam quebrar.
Outro fator é o de que as máquinas eram mais limitadas em adaptação, enquanto as pessoas eram mais flexíveis e podem alterar seu comportamento. Então, com a evolução das mesmas, muitas tarefas foram automatizadas e a relação de trabalho mudou, deixando tarefas repetitivas para as máquinas e as tarefas intelectuais, para os humanos.
Nos anos 70 e 80, quando parte das tarefas críticas e de risco já estavam computadorizadas, os estudiosos voltaram a estudar as pessoas nos seus aspectos técnico, social e institucional. Foi então que, nas situações em que foi sempre mais fácil culpar os humanos por sua natural capacidade de cometer erros, ficou evidente as fraquezas das máquinas.
Não havia como receber o input de recuperação de um erro ou uma saída criativa de um humano a uma situação de risco, e foi nesse momento que o estudo da Arquitetura de Sistemas se transformou em Arquitetura de Informação e a otimização dos elementos da interface foram criando caminho para a engenharia de Usabilidade
Nessas duas disciplinas, o bordão “conheça o usuário” ainda é novidade, sendo uma abordagem para o ser humano ser olhado como uma máquina de processamento de informações, isolando o contexto de grupos de relações, e sem levar em consideração cultura, educação e estrutura social.
Originalmente, os produtos do trabalho de um Arquiteto de Informação eram: mapas de navegação, wireframes e uma documentação extensa de comportamentos de sistema, casos de uso.
Um AI pode ser mais rápido ao produzir wireframes, muito competente ao escolher alternativas para os diversos elementos de navegação, ou ainda muito atento a todos os casos de uso, mas raramente vai se sentar à mesa de negociação para indicar interações necessárias que possam favorecer os negócios. 
Um Engenheiro de Usabilidade, por sua vez, tem como produto de seu trabalho a supervisão e aconselhamento sobre as interfaces, mas seu foco é a otimização da execução da tarefa: torná-la mais fácil de ser realizada e/ou mais rápida de ser executada, ou ainda evitar erros que gerem riscos.
A questão é que esse tipo de trabalho não raro é visto como “apenas uma questão de bom senso” ao fazer a interface e, obviamente, pode ser feito por qualquer um. Lamento informar que não, não pode ser feito por qualquer um. No mínimo, precisa conhecer conceitos de psicologia cognitiva.
Outro problema enfrentado por esses profissionais é que as empresas consideram caro fazer os testes junto a usuários e deixam para fazer – quando fazem – quando o produto já está no ar, o que torna as mudanças muito mais caras e o impacto de uma usabilidade ruim mais evidente sobre a percepção de marca.
Isso torna a carreira da pessoa de usabilidade muito limitada à concepção do design e/ou aos testes, como consultor.
Importante ressaltar que esses dois trabalhos parecem estar extremamente ligados às mídias digitais. É bem verdade que o mercado brasileiro que absorve esses profissionais está ligado a estas mídias, mas há uma mudança a caminho.
Desde o movimento escandinavo de Design Participativo se espalhou, o Design de Interação também tomou força e rompeu a barreira das mídias digitais.
Quando os Interactions Designers são chamados é para encontrarem soluções para prestação de serviços, resolução de problemas de apresentação de informações e pensar em produtos que façam as pessoas quererem pagar mais por eles, mesmo que a marca não seja tão conhecida.
Essa profissão amplia os horizontes de atividade e vem sendo requisitada pelo mercado, valorizada pelas empresas, por serem pessoas com visão de negócios e marketing, com conhecimento amplo de pesquisa de mercado e planejamento de comunicação.
Além de saberem comandar equipes e pensar em inovação, junto aos decisores dentro de uma empresa, tratando, então, de uma profissão com um horizonte mais amplo e com maiores possibilidades de ascensão de carreira.
Para quem quiser saber mais da profissão e job descriptions, visite: http://oportunidades.ixdasp.org/detallecontenido/idnoticia/7019/
*Amyris Fernández é Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade Metodista – SBC (2007). Bolsa sanduíche durante o doutorado na University of Copenhagen, no Center of Computer Games Research em 2006. Mestrado em Comércio Eletrônico pela University of Rochester, Estados Unidos (1999). Professora e coordenadora do Curso de Comunicação em Mídias Digitais na FGV-SP. É coordenadora do curso de Design de Interação e professora de Usabilidade, AI em ambientes mobile, e psicologia cognitiva na Faculdade Impacta . Consultora nas áreas de Usabilidade e Experiência do Usuário, com viés para business e comunicação em Meios Digitais.
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