Comunicação não-violenta: é importante?

A comunicação não-violenta é baseada na consciência das nossas necessidades e as dos outros, possuindo objetivo de ouvir algo sem se ofender e falar (...)

Autor: Gabriella Uota

Um líder deve focar não apenas a interlocução empresarial, mas também a forma como se dirige à sua equipe de negócio.
A maneira como se relaciona pode interferir no desempenho do time e nos resultados organizacionais – e isso ocorre especialmente quando a comunicação não-violenta é deixada de lado.
A relação interpessoal é um dos maiores desafios de qualquer profissional, mas é importante que seja considerada antes dos resultados econômicos.
Se os colaboradores de uma empresa se sentirem confiantes uns com os outros, eles vão trabalhar em conjunto e desenvolver ações que nenhum deles conseguiria desempenhar sozinho.
Pensando nisso, preparamos este artigo para você entender o que é, qual é a importância e como desenvolver uma comunicação não-violenta no ambiente de trabalho. Boa leitura!

   O que é comunicação não-violenta?

Criada pelo psicólogo Marshall B. Rosenberg, a comunicação não-violenta se baseia na consciência das nossas necessidades e dos outros, com o objetivo de ouvir sem se ofender e falar sem machucar.
É possível considerá-la uma prática de reflexão, identificando o que está por trás de cada informação e maneira de falar para ver as situações com mais empatia e, assim, evitar divergências.
A comunicação não-violenta também nos faz pensar na forma como nos sentimos quando alguém repassa determinado comunicado, seja ele por e-mail, fala ou telefonema.
Quando reconhecemos o sentimento que foi despertado por aquela mensagem, podemos optar pela imparcialidade e responder sem mágoas, apenas com o que esperamos do outro.
Essa prática também se refere ao fato de exercer a empatia quando recebemos algum julgamento equivocado.
Quando alguém diz que você é preguiçoso, por exemplo, qual é a sua reação? Aceitar, retrucar ou ignorar? Nenhuma dessas opções é uma atitude esperada.
Comunicar-se de forma não-violenta está relacionado tanto a quem diz a mensagem quanto a quem a recebe.
Os dois lados devem pensar sobre as necessidades que estão por trás das crítica, com o objetivo de ter uma comunicação mais honesta.
Isso significa que, muito além de uma maneira de se expressar, a comunicação não-violenta é uma forma de observar os sentimentos, pensar e se conectar com os gatilhos que nos fazem agir de determinado modo.

   Por que ela é importante nas relações profissionais?

Os elementos-chave da comunicação não-violenta são úteis em qualquer esfera da vida. Afinal, estamos sempre passando por inúmeras situações desafiadoras no momento em que nos relacionamos com outras pessoas.
No ambiente de trabalho, as divergências podem prejudicar a produtividade e elevar a rotatividade de funcionários.
Por isso, é importante que o líder atue em favor da comunicação e do entendimento entre membros das equipes, promovendo a liderança e sabendo ouvir colaboradores e clientes.
Isso pode evitar comportamentos explosivos e crises, ao mesmo tempo em que estimula boas práticas e cria uma atmosfera menos competitiva e mais colaborativa.
A comunicação não-violenta ajuda na construção de uma cultura dentro das empresas, possibilitando que todos trabalhem para a ampliação do negócio.
Até mesmo os processos são realizados de uma forma mais eficiente, evitando a falta de padronização e a procrastinação.
Investir na construção de uma equipe de sucesso pode levar tempo, mas os bons resultados compensam os esforços.
Os mal-entendidos e a rotatividade diminuem, os colaboradores se sentem valorizados e importantes dentro da organização, a produção melhora e, assim, mais clientes surgem.

   Como colocá-la em prática dentro da gestão?

Enquanto líder, é fundamental conhecer cada um dos elementos básicos da comunicação não-violenta para aplicar a técnica de forma eficaz. Confira:

  • Observação

Diante de qualquer situação, o ideal é observar os fatos sem avaliar. Se a observação for seguida de qualquer tipo de análise, ela se transformará em um julgamento.
Mesmo que não seja fácil fazer essa distinção, ela é fundamental.
Após identificar qual é o fato isento de julgamentos, a próxima ação é compartilhá-lo com o interlocutor.
Mas atenção: se o acontecimento for narrado com qualquer carga de avaliação, a pessoa receberá a informação como uma crítica.

  • Sentimento

O próximo passo é reconhecer seus sentimentos. Volte o olhar para si mesmo e entenda quais sentimentos foram despertados.
É importante entender que o outro pode servir como gatilho, mas o que sentimos está dentro de nós e é de nossa inteira responsabilidade.
Nossas expectativas, sentimentos e necessidades para tal momento resultam de como decidimos reagir ao que os outros fazem e dizem.
Ao aceitar a responsabilidade por nossos sentimentos, estamos reconhecendo nossos desejos, valores, expectativas e pensamentos.
Após reconhecer a sensação despertada, é hora de expressá-la para o interlocutor. No entanto, é importante ter cuidado para não jogar no outro a culpa pela forma como você se sente.
Lembre-se de que seus sentimentos dizem respeito apenas a você.

  • Necessidades

A autoanálise permite descobrir quais necessidades suas não foram satisfeitas naquela situação. Afinal, a origem de todos os sofrimentos e conflitos são necessidades não satisfeitas.
Depois de entender a sua necessidade, deixe que o outro saiba dela. Muito cuidado para não fazer isso em forma de cobrança – você deve apenas dividir o assunto.
Uma maneira interessante é revelar, além da necessidade, os efeitos que podem vir caso ela não seja satisfeita.

  • Pedido

Por fim, é hora de se dirigir diretamente ao outro e fazer um pedido. Use uma linguagem clara, positiva, sem abstrações, que permita possibilidades de ações concretas.
Você pode disponibilizar mais de uma alternativa, mas foque o pedido no que você deseja.
Cuidado para não fazer uma exigência disfarçada de pedido. Uma boa forma de saber se você vai pedir ou exigir é se perguntar o que vai acontecer se a pessoa disser não.
Se o outro não tiver direito a negar, você está prestes a fazer uma exigência e não um pedido.
É comum existir conflito no ambiente de trabalho. Nesse cenário, saber aplicar a comunicação não-violenta no dia a dia, retirando do diálogo acusações e julgamentos, é essencial.
Essa é a melhor forma de conviver com as diferenças, trabalhar harmoniosamente por objetivos comuns e preservar a qualidade das relações.
Gostou de saber mais sobre a forma saudável de se comunicar com os outros? Então deixe seu comentário nos contando se o post foi útil para você conhecer melhor essa prática ou caso tenha ficado alguma dúvida!

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