Cloud Services Brokerage: novidades num cenário ainda muito novo

Há alguns anos, Cloud Computing tem sido um dos principais temas abordados em eventos que reúnam a comunidade de TI.

Autor: Anderson Baldin Figueiredo

Há alguns anos, Cloud Computing tem sido, junto com Mobilidade, Big Data e Redes Sociais, um dos principais temas abordados em todo e qualquer evento que reúna a comunidade de TI, em especial os encontros que contam com a presença de gestores de TI independente do perfil, do tamanho e do estágio das empresas em que esses gestores estejam atuando.

Como já adiantei no título desse artigo, a intenção nas próximas linhas é apresentar uma novidade que começa a ser ofertada no mercado brasileiro para empresas usuárias de TI que já estejam num estágio de maturidade avançada sobre a contratação de serviços no modelo Cloud Computing.

Para colocar todo mundo “na mesma página”, vou trazer rapidamente quais são as principais características da oferta de serviços denominada Cloud que, segundo as empresas de consultoria Gartnere IDC movimentou em 2014, valores superiores a dois bilhões de reais apenas no mercado brasileiro. O principal conceito sobre Cloud Computing é que, apesar de envolver recursos de tecnologia (hardware, software, infraestrutura e profissionais especializados), Cloud é simplesmente um novo modelo de negócios em que as empresas consumidoras de TI passam a pagar apenas pelos recursos que utilizem, com total flexibilidade para a contratação desses recursos, ampla elasticidade de alocação ou liberação dos recursos necessários e sempre utilizando infraestrutura de Internet como canal de acesso. As três modalidades mais implementadas são: a) IaaS (sigla em inglês para Infraestrutura como Serviço), em que se contrata recursos de infraestrutura (hardware, redes, etc.); b) SaaS (Software como Serviço), em que a tradicional compra de licenças é substituída pela contratação, utilização e pagamento de software standard  (p. ex. Office ou antí-virus) em função de sua real utilização pelos usuários; c) PaaS (Plataforma como Serviço), que pode ser utilizado de forma expressiva para a avaliação de novas plataformas de hardware e de software e também para projetos que contemplam a migração do ambiente atual para novas opções de ambiente de desenvolvimento, de testes ou de produção.

Todas essas modalidades constam do portfólio dos principais provedores de soluções em Cloud Computing e são apresentadas basicamente em duas ofertas:

  1. Cloud Pública – Ao contratar serviços no modelo Cloud Pública, a empresa contratante irá compartilhar os recursos do provedor de Cloud com outras organizações que sejam clientes desse provedor. Alguns exemplos? Google AdWords, e-mails em provedores como Locaweb, contratação de servidores e de capacidade de armazenamento junto à Amazon Web Services, etc. A segurança das informações nesses ambientes compartilhados, além da disponibilidade, da escalabilidade e da flexibilidade ofertada pelos provedores são os grandes apelos para sua contratação.
  2. Cloud Privada – A diferença básica dessa modalidade de contratação é que os recurso contratados não são compartilhados, ou seja, a empresa contratante será a única usuária dos recursos que venham a ser utilizados. Outra diferença é que enquanto na modalidade Cloud Pública, todos os recursos estão no ambiente do provedor, ao se contratar na modalidade Cloud Privada, os recursos podem estar localizados no ambiente do provedor, no ambiente da empresa usuária ou até mesmo distribuídos pelos dois ambientes que denominamos como solução híbrida.

Como toda disrupção, a contratação no modelo Cloud deve e precisa necessariamente ser feita por etapas, lembrando que para a grande maioria das empresas a contratação de recursos no modelo Cloud (Pública, Privada ou soluções híbridas) certamente não abrangerá 100% do seu ambiente de infraestrutura de hardware, de software standardou de aplicações, ou seja, assim como durante muito tempo as empresas conviveram ou ainda convivem com ambientes Mainframe e cliente-servidor, é praticamente inevitável que ao migrar para soluções em Cloud em qualquer de suas modalidades e com um número indefinido de provedores, as empresas passem a ter um ambiente bem complexo como mostra a figura abaixo apresentada pelo Gartner, que de forma proposital mantive em seu formato original em idioma inglês, para que possamos estar cientes que a situação é generalizada em ambientes de TI ao redor do mundo.

É nesse cenário cada vez mais presente nas organizações que surgem empresas com uma nova oferta, tema desse artigo, denominada “Cloud Services Brokerage” (CSB) que propõe a contratação de empresa que passe a representar o ponto único de contato para administrar esse elenco de provedores, para negociar as contratações de recursos em Cloud aproveitando a sua maior escala, para auxiliar na integração de todos os ambientes existentes no ecossistema da empresa contratante.

A empresa de consultoria Gartner define Cloud Service Brokerage como “…um modelo de negócio na área de TI em que um fornecedor presta serviços agregando valor a um ou mais serviços de nuvem contratados por empresa usuária, atuando em nome dessa organização junto aos provedores e assumindo a responsabilidade pela agregação, integração e customização de todos esses serviços.” Para o Gartner, “Um provedor CSB oferece uma combinação de tecnologia, pessoas e metodologia que possibilitam implantar e gerenciar projetos multi-plataformas com vários fornecedores.”

O National Institue of Standards and Technology, um órgão regulador dos Estados Unidos, semelhante à nossa ABNT, nos introduz a seguinte conceituação: “Um provedor atuando como Cloud Service Broker oferece intermediação, monitoramento, a transformação / portabilidade, governança, serviços de integração e negocia relações entre vários provedores e a empresa consumidora”

A interoperabilidade entre ambientes em nuvens e sistemas on-premise já é tema de suma importância para a grande maioria dos executivos de TI que reconhecem que a migração e/ou a integração entre diversos provedores de serviços de Cloud tende a ser complicada, demorada e cara.A proposição CSB é um modelo bem prático e real que agrega valor e minimiza esses impactos nas organizações.

Diversos fatores vêm incentivando as empresas a avaliar a contratação de um provedor de serviços atuando como um Cloud Services Broker. Vamos destacar alguns desses fatores sob a ótica dos potenciais compradores:

  • A necessidade de manutenção de ambiente híbridos.
  • As demandas para implementar e manter de forma rápida as conexões, os serviços e as APIs.
  • O aumento da diversificação de sistemas, dos modelos de dados e das relações comerciais.
  • A capacidade do provedor de sincronizar dados e de compartilhar informações entre diversas plataformas em nuvem.

Ao avaliar os provedores, as empresas esperam ter atendidas às seguintes expectativas:

  • Simplificação de operação através de:
    • Relacionamento com um único provedor que se torne o ponto único de entrada de múltiplas nuvens.
    • Padronização na prestação dos serviços e também nos procedimentos de segurança.
    • Integração direta para os serviços de negócio on-premise ou em nuvens.
  • Rapidez na implantação de novos serviços / soluções.
  • Atualização constante com as tecnologias mais recentes.
  • Custo mais previsível e migrando de Capex para Opex.

Quando olhamos para os números desse mercado, todas as projeções mostram que CSB se apresenta como a categoria de serviços com maior crescimento – saindo de uma receita pouco inferior a US$ 1 bilhão, em 2010, para faturamento da ordem de centenas de bilhões de dólares em 2015. Partindo de um universo composto por dezenas de provedores CSB no mundo em 2010, chegaremos a centenas de empresas em 2015. Com isso, estima-se que 20% de todos os serviços em nuvem serão consumidos via provedores CSB (esse índice era de apenas 5% no ano de 2010).

Resumindo, os especialistas não se intimidam em afirmar que Cloud Service Brokerage já é visto por grandes e médias empresas como o passo inicial na gestão da cadeia de fornecedores de serviços de TI.

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