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Não há Design sem Desenho
- 01/03/2007
Eduardo Engelmann
Há tempos uma pergunta se repete nos treinamentos que eu ministro na área de design gráfico: “Por que, mesmo dominando a ferramenta, eu não consigo chegar num resultado satisfatório?”
A resposta é simples: Falta base!
Percebo que muitos alunos que ingressam na área de comunicação visual, e aí não importa se em design gráfico, web design, 3D etc, não têm base suficiente para tirar o melhor proveito das ferramentas existentes. E essa base está calçada em dois alicerces: o desenho e a arte. Um profissional de comunicação visual que não sabe desenhar perde muito se comparado a outro que sabe – e que muitas vezes não domina tão bem a ferramenta. O desenho permite um melhor aproveitamento da área, uma melhor distribuição de elementos proporcionando uma melhor estética e conseqüentemente um melhor sentido de leitura. E o melhor, agiliza os processos. Outro fato interessante, é que o aluno não precisa ser um ilustrador, mas precisa entender os processos de composição, da forma, da luz, da proporção e etc. E para entender tudo isso ele precisa desenhar.
O software deve ser encarado antes de tudo como uma ferramenta. O treinamento de um determinado software como Illustrator, por exemplo, capacita o aluno a utilizar o produto, a ferramenta. É como um pincel. Você sabe para que ele serve, sabe utilizá-lo, mas o resultado não será satisfatório se você não souber criar e produzir arte ou traçar suavemente o que quer pintar.
Para qualquer área relacionada à comunicação visual ou design (ô palavrinha em moda), é necessário saber desenhar, ou no mínimo “rafear” (efetuar um esboço ou rascunho).
Nada é mais traidor do que o computador e as suas ferramentas. Você começa a criar ou esboçar alguma coisa e então, resolve ir efetuando pequenas mudanças, daí, a facilidade é tanta que você se empolga com isso, e vai mudando, mudando, mudando... até que num determinado momento você chega a conclusão que a terceira tentativa era a melhor – haja Ctrl+Z para retornar àquela idéia.
Apenas com um lápis e um bloco de papel, você rabisca idéias, disposições de elementos, efetua novas versões até que chega num ponto conclusivo da idéia inicial. Depois disso fica fácil sentar-se ao computador e executar a arte.
O desenho é fundamental em todas as atividades de nossa vida, ele está presente em tudo que nos cerca – e se ainda não foi desenhado (duvido) com certeza será num futuro próximo. A cadeira em que você está sentado, a mesa, o teclado, o mouse, seus sapatos, sua roupa, tudo, tudo antes de atingir o objetivo final, é desenhado, rabiscado, rafeado, esboçado – não importa o termo, mas sim o registro da idéia.
Mas você deve estar se questionando: “Eu não sei desenhar nem casinha, nem bonequinho com meia dúzia de linhas”. Todos podem aprender a desenhar, e aqui temos um divisor de águas: algumas pessoas já nascem com esse dom ou com essa aptidão, enquanto outros têm aptidão para outras atividades como jogar futebol, ser médico, administrador, e por aí afora.
Mas qualquer que seja a aptidão de uma pessoa, ela poderá exercer outras atividades com menor, igual ou melhor qualidade e isso depende de uma única coisa: treinamento. Desenhar é a mesma coisa. Basta ser orientado, ter boa vontade e treinar um pouco. No Brasil temos um celeiro de craques de futebol, mas mesmo aquele seu amigo ruim de bola, sempre participa das peladas e dos rachões – sempre está faltando um. Se ele tivesse interesse, com certeza treinando um pouco mais, ele poderia ficar mais tempo no time – não seria o craque, mas seria o cara que exerceria, com a maior boa vontade e determinação, a função que lhe cabe no jogo.
A contemplação de uma obra de arte é fundamental para o enriquecimento do conhecimento artístico, da lapidação da sensibilidade, da harmonia, da estética... enfim, se você quer jogar futebol e não é um craque, aprenda observando. Se você quer ver seus trabalhos visuais com uma qualidade melhor, aprenda a observar os trabalhos dos mestres consagrados. Observe como eles combinam as cores, as formas, a luz e a sombra. Resumindo, aprender a desenhar e colocar mais arte em seus trabalhos só depende de uma coisa que está aí dentro de você: boa vontade!
Eduardo Engelmann é ilustrador, artista gráfico e instrutor de design gráfico na Impacta Tecnologia |
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