A informação ao alcance de todos
José Eduardo Machado Grasso
Vivemos numa época fascinante. Nunca a humanidade produziu tanto material e compartilhou tanto conhecimento quanto nos últimos 100 anos. A facilidade de qualquer pessoa trocar informações com qualquer outro indivíduo no planeta de maneira rápida permitiu o surgimento diversos ramos novos na ciência, nas artes, na filosofia, na medicina, e provavelmente em todas as outras áreas. E esses novos caminhos do conhecimento aparecem tão rapidamente quanto os meios de troca de informação se tornam mais eficientes. E nada parece indicar que essa tendência vai diminuir nos próximos anos. Faz parte da natureza humana investigar, aprender, renovar e reinventar o mundo.
Mas a abundância de informação trouxe um problema. Como selecionar, no meio de tanto material, o que é relevante? E mais angustiante ainda, como saber o que é verdade? Hoje em dia é muito fácil para qualquer pessoa ou empresa utilizar a internet para publicar e distribuir suas idéias e histórias. Há uns 10 anos atrás, os meios oficiais de comunicação (televisão, revistas e livros) nos forneciam uma espécie de atestado de credibilidade. Se a informação foi parar num livro ou no noticiário das oito, é porque algum profissional se encarregou de verificar a autenticidade do que está sendo veiculado. Mas o que acontece hoje é que os meios tradicionais, com raras exceções, utilizam a internet como fonte de informação. Isso acontece porque é mais barato para uma empresa pagar um funcionário para pesquisar na internet sobre um assunto do que para um profissional que realize o trabalho de campo, indo até o lugar onde acontece um fato e investigando-o pessoalmente, falando com as pessoas, e depois compilando toda a informação recolhida para publicar. Ainda acontece isso hoje em dia, mas é cada vez mais raro.
Existe também um fato que contribui para o excesso de informação duvidosa na mídia. É a “síndrome da novidade”. Cada vez mais as novidades são poucas, pela velocidade da divulgação. E toda empresa que divulga notícia quer um furo de reportagem ou quer abordar um assunto nunca antes revelado, ou quer mostrar uma nova tendência.
Ultimamente vimos esse exemplo no filme e livro de enorme sucesso chamado “O Segredo” que fala de duas coisas muito antigas e conhecidas como se fosse uma grande novidade: a lei da atração, que é um pensamento dos anos 70, também conhecido como “pensamento positivo”, e a Física Quântica, que é um ramo da ciência dos anos 20. O que chama a atenção é como o assunto é tratado como uma grande descoberta, algo nunca antes revelado e que os grandes personagens da história sabiam e nunca compartilharam com as “pessoas normais”, como se toda a história da humanidade fosse um grande complô para nos manter na ignorância.
O que resta, no meu ver, para o cidadão comum viver em paz com a avalanche de informação é uma coisa antiga, simples e que não requer nenhum aparato tecnológico para ser usado: bom senso. Conferir se o que foi lido aparece em outros lugares, se alguma outra pessoa já ouviu falar, e mais importante que tudo, se faz sentido. O mundo é repleto de paradoxos e este é mais um para nossa coleção. No meio de tanta tecnologia, de tanta evolução da indústria, dos chips, dos dispositivos, a velha é boa intuição ainda é a coisa mais confiável. |
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